Crítica | ENOLA HOLMES (2020) é de Millie Bobby Brown

Millie Bobby Brown vai ganhar o mundo. Isso se já não o arrebatou. A atriz e cantora britânica (mas nascida em hospital espanhol) virou estrela na ótima série Stranger Things. Diferente de colegas que questionam o talento dela para cenas dramáticas, a considero intérprete de mão cheia, daquelas cujas feições nos encantam, emocionam, capturam. Agora, ela não apenas é protagonista como também produz Enola Holmes, aventura leve e divertida ao estilo Sessão da Tarde baseada na série de livros The Enola Holmes Mysteries, da autora Nancy Springer e que segue a irmã mais nova do famoso detetive Sherlock e seu irmão mais velho, Mycroft.

Inglaterra, 1884. Na manhã de seu aniversário de 16 anos, a personagem principal acorda para descobrir que sua mãe (Helena Bonham Carter) desapareceu, deixando para trás uma estranha variedade de presentes, mas nenhuma pista aparente de para onde ela foi ou o motivo da partida. Após uma infância de espírito livre, Enola de repente se encontra sob os cuidados de seus irmãos Sherlock (Henry Cavill) e Mycroft (Sam Claflin) – este último decidido a enviá-la para um internato onde poderá ser “preparada” para a sociedade. A jovem foge para procurar sua mãe em Londres. Quando se dpara com um mistério em torno de um jovem Lorde em fuga (Louis Partridge), Enola segue os passos do irmão Sherlock.

Henry Cavill and Millie Bobby Brown in Enola Holmes (2020)

Há quem possa considerar o filme bobinho. Mas é justamente aí que está sua qualidade. Eu, que adoro ouvir sotaque britânico e o charme dos atores da Terra da Rainha, embarquei na aventura repleta de clichês, é verdade, porém de acordo com temas atuais: há o empoderamento feminino, a busca por um mundo mais justo, a pessoa reacionária que tentará impedir os avanços da sociedade, a heroína independente. Nada muito aprofundado, só que na medida para o que busca a trama.

Volta e meia Enola quebra a quarta parede (fala direto com o espectador). Essas interações funcionam por que Bobby Brown tem carisma. E não estão à toa. O diretor Harry Bradbeer é o mesmo da excelente e premiadíssima série Fleabag, na qual Phoebe Waller-Bridge interage sem parar com a plateia. Esse tipo de mecanismo funciona graças à junção de direção e talento das atrizes.

Henry Cavill, Sam Claflin, and Millie Bobby Brown in Enola Holmes (2020)

Os fãs da saga Harry Potter reencontrarão Fiona Shaw (Miss Harrison), Frances de la Tour (a viúva) e a citada Helena Bonham Carter. Henry Cavill, bonito que só, continua ator sem muitas expressões. Isso até funciona no Superman do Universo Cinematográfico DC, super-herói de tom soturno e poucas palavras. Entretanto, quando vemos a mesma coisa em vários trabalhos (Agente da UNCLE, Missão Impossível: Fallout), perde a graça. Não há corte de cabelo ou bigode que o façam soar diferente. Quando bem dirigido, vá lá. Aqui até passa, pois o longa tem astral tão bom que ninguém o compromete. Afinal, Enola Holmes é de Millie Bobby Brown e aguardo as continuações.

Enola Holmes
Reino Unido, 2020.
Direção: Harry Bradbeer
Com Millie Bobby Brown, Henry Cavill, Sam Claflin, Louis Partridge, Helena Bonham Carter, Fiona Shaw, Frances de la Tour.
123 minutos.

Burn Gorman and Millie Bobby Brown in Enola Holmes (2020)

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