Imperdível e de graça | Monólogo com ONDINA CLAIS baseado na obra de DOSTOIÉVSKI pode ser conferido no Youtube do Sesc

O monólogo Katierina Ivânovna parte de uma das personagens de Crime e Castigo, obra fundamental do russo Fiódor Dostoiévski.

Protagonizado por Ondina Clais, é dirigido por Marina Nogaeva Tenório e Ruy Cortez, este com quem a atriz mantém parceria de longa data nos palcos.

Apresentado ao vivo com sucesso no #EmCasaComSesc, a encenação está disponibilizada gratuitamente no canal do Youtube do projeto. Se você ainda não conferiu, assista!

O espetáculo-solo é o primeiro da série Pentalogia do Feminino, conjunto de cinco peças que a Companhia da Memória realiza desde 2017 desenvolvendo dramaturgias a partir da perspectiva do feminino e da linhagem matrilinear. Aqui surge numa adaptação para câmera utilizando o plano-sequência e narrativa entrecortada sugerida pelo próprio tom da obra de Dostoiévski.

Katierina Ivânovna é uma das personagens de Crime e Castigo. Nascida em uma família abastada, a personagem se recusa a aceitar um casamento arranjado e foge de casa com o homem que ama, um oficial de infantaria. Depois da morte do primeiro marido, abandonada pela própria família, exaurida pela tuberculose e pela miséria, para sobreviver e cuidar dos três filhos, Katierina se casa com o funcionário público Semión Marmeládov, pai de Sonia.

A peça começa logo após o enterro de Semión, no momento que antecede suas exéquias — o almoço fúnebre em sua memória, tradicional entre os russos — que Katierina insiste em realizar, gastando o pouco dinheiro que lhe resta.

Ruy Cortez e Marina Nogaeva Tenório realizam um excelente trabalho ao migrar uma apresentação teatral do palco para a frente das câmeras, utilizando ambientes fechados, lúgubres, que nos trazem a intensidade da situação. Posicionam as câmeras e distribuem o ambiente de maneira inteligente, deixando a atriz livre para brilhar.

E tudo sai perfeitamente bem graças à exuberante presença de tela de Ondina Clais. O querido crítico de cinema Rubens Ewald Filho costumava dizer que Ondina tem o rosto de cinema. Pois é, é o tipo de artista cujas câmeras adoram e convence em todos os momentos, de voz poderosa e olhar penetrante que tem, em mãos, um texto poderoso – adaptado por Daniil Guink – e o traduz em atuação intensamente.

É das atrizes mais completas do Brasil. Tem brilhado há décadas com êxito no teatro e recentemente atuou em projetos bastante elogiados no cinema, na TV e no streaming.

Aos 15 anos estreou a carreira profissional como bailarina clássica, atuando na ópera O Guarani, de Carlos Gomes, regida pelo maestro Benito Juarez. Aos 20 anos, iniciou a carreira de atriz, juntando-se ao Grupo Macunaíma, do diretor teatral Antunes Filho, no qual encenou diversas montagens, como Nova Velha História, Paraíso Zona Norte e Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues, na qual interpretou a protagonista Geni. Em 2013, protagonizou a peça A Dama do Mar, de Henrik Ibsen, na primeira montagem do renomado diretor norte-americano Bob Wilson no Brasil com atores brasileiros, sendo elogiada pela crítica especializada e indicada para o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante de 2013, pela Revista Aplauso.

Entre os trabalhos de destaque estrelou, nas telonas, Meu Amigo Hindu, de Hector Babenco, com o ator norte-americano Willem Dafoe, O Filme da Minha Vida (de Seltom Mello), contracenando ao lado do francês Vincent Cassel, João, o Maestro (fazendo a mãe do protagonista), Vou Nadar Até Você (de Klaus Mitteldorf, com Bruna Marquezine e, na telinha, Sessão de Terapia (GNT), A Vida Secreta dos Casais (HBO) e Coisa Mais Linda (do Netflix), entre outras performances. Certamente merece mais oportunidades no cinema.

Virou a madrinha do Santos Film Fest – Festival Internacional de Cinema Santos a partir da segunda edição do evento, em 2017, quando foi homenageada na cidade que tem uma ligação fraternal. E passou a batizar o troféu entregue todos os anos a profissionais mulheres de destaque do audiovisual brasileiro, como as diretoras Eliane Caffé e Angela Zoé.

Os pouco além de 41 minutos passam rapidamente. Uma ótima dica para quem mantém o distanciamento social. Após a pandemia, e ela há de ir embora, vale prestigiar a peça ao vivo, no palco.

Texto: Fiódor Dostoiévski
Adaptação: Daniil Guink.
Direção e tradução: Ruy Cortez e Marina Nogaeva Tenório
Elenco: Ondina Clais
Iluminação: Ana Kutner
Sonoplastia: Aline Meyer
Fotos: Klaus Meiodavila
Produção executiva: Mariana Machado
Produção: Companhia da Memória e Marlene Salgado

2 comentários

  1. Caro Daniel Azenha,

    parabéns por seu website destinado ao cinema!

    Acabo de ler sua matéria sobre o trabalho de nossa amiga e colega Ondina Clais.

    Escrevo-lhe para pedir sua atenção para um projeto cinematográfico que desenvolvi entre março e jullho desto ano em resposta à pandemia do coronavirus.

    Trata-se de uma leitura contemporânea de “O Teatro e a Peste”, ensaio do poeta e teatrólogo francês Antonin Artaud.
    O projeto tem participação de artistas de 11 países e resultou em 18 curta-metragens e 1 longa metragem.
    No seguinte website – https://oteatroeapeste.wixsite.com/taanteatro – encontrará as informações sobre o projeto, seus participantes, bem como os filmes acima mencionados.

    Estou a sua disposição para maiores informações.

    Atenciosamente,

    Wolfgang Pannek

    11 99909 5060

    Curtir

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