A MARCHA DOS PINGUINS (La Marche de L’Empereur, 2005) e a jornada pela vida

Por ANDRÉ AZENHA

Nós, seres humanos, podemos ficar abismados quando presenciamos outras espécies do reino animal defendendo sua prole, acasalando, vivendo em comunidade e em paz. Vez ou outra surgem comentários do tipo: “que fofo” e/ou “que lindo”. E não é de se esperar menos, numa época que a individualidade cresce cada vez mais e conflitos tomam conta do planeta, tornando a relação entre nós não poucas vezes mais distante, fria.

A Marcha dos Pinguins é deste tipo de filme em que o espectador deixa a sala falando “que fofo” e/ou “que lindo”. Conta a trajetória do pinguim imperial, que inspirou o título original, La Marche de L’Empereur(A Marcha do Imperador), que vai da marcha de milhares da espécie em fila indiana em busca do local ideal para a procriação, passa pela procura das fêmeas por comida para os filhotes, quando os pais se encarregam de tomar conta dos ovos, até o retorno e o nascimento da nova geração.

La marche de l'empereur (2005)


As cenas impressionam, mérito do trabalho dos diretores de fotografia Jérôme Maison e Laurent Chalet, que ficaram um ano na Antártida, sem a presença do diretor Luc Jaquet, captando cerca de 1020 horas de imagens (sendo 70 destinadas a este filme). Em vários momentos esquecemos que se trata de um documentário, pois, como em uma jornada do herói típica da ficção, os pinguins se deparam com desafios contra grandes tempestades de gelo, animais que tentam (e conseguem) se alimentar dos próprios e de sua cria, e principalmente pelas vozes que interpretam o casal “protagonista” da narrativa e seu filhote. Aliás, esse é um ponto que foi bastante criticado; porém, melhor assim (algumas vezes chega a ser divertido escutar Antônio Fagundes e Patrícia Pillar, na versão brasileira, como a dupla central) do que aquelas narrações vagarosas estilo National Geografic.

Existem também momentos de humor, como quando surgem os filhotes que alcançam a liberdade de caminhar sozinhos e escorregam na superfície gelada ou quando duas fêmeas tentam passar ao mesmo tempo em um buraco no gelo em direção à água e ficam entaladas, mas logo conseguem se resolver. Há momentos dramáticos, chocantes: uma mãe que perdeu seu filhote tentar roubar o de outra, em uma batalha incessante pela sobrevivência e continuidade.

A Marcha dos Pinguins (orçado em U$ 8 milhões) venceu o Oscar de Documentário e muitos outros prêmios. Não dava para esperar menos da obra que, na época, desbancou O Fabuloso Destino de Amélie Poulaindo posto de filme mais rentável da história do cinema francês e se tornou o segundo documentário mais visto nos Estados Unidos, perdendo apenas para Fahrenheit 11/09, de Michael Moore. Filmado em película, com imagens fantásticas (até das auroras boreais) e bela trilha sonora (de Emilie Simon), o longa é um trabalho praticamente impecável.

O pinguim imperador voltaria a aparecer numa premiada produção cinematográfica pouco tempo depois: a animação vencedora do Oscar Happy Feet (2006), de George Miller.

A Marcha dos Pinguins
La Marche de L’Empereur
França, 2005.
Direção: Luc Jacquet.
Vozes: Morgan Freeman (narrador da versão americana), Antônio Fabundes, Patrícia Pillar (narradores da versão brasileira).
85 minutos.  

La marche de l'empereur (2005)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s