UM LUGAR CHAMADO NOTTING HILL (Notting Hill, 1999) revisita A PRINCESA E O PLEBEU, mas com personalidade própria

Por ANDRÉ AZENHA

A Princesa e o Plebeu (1953) alçou Audrey Hepburn à estrela de Hollywood. O papel de princesa que decide passear anonimamente em Roma e acaba envolvida com um repórter (Gregory Peck), rendeu à atriz o Globo de Ouro, o Bafta e o Oscar – o filme ainda levou roteiro original e figurino em preto e branco na premiação. Virou clássico, cult, e influenciou diversas produções. Entre elas, uma em especial igualmente conquistou corações mundo afora: Um Lugar Chamado Notting Hill, cuja première nos Estados Unidos aconteceu em 13 de maio de 1999. No Reino Unido, onde acompanhamos a história, estrearia em 21 do mesmo mês. Por aqui, chegaria somente em 30 de julho daquele ano.

| SIMPLESMENTE AMOR e os clichês que amamos ver e rever

Dirigido por Roger Michell (Amor Para Sempre, 2004), tem roteiro de Richard Curtis, de extenso e admirável currículo: escreveu Quatro Casamentos e um Funeral (1994), O Diário de Bridget Jones (2001) e suas continuações de 2004, Simplesmente Amor (2002, o qual também dirigiu), entre muitos outros trabalhos. Todos esses citados são estrelados por Hugh Grant.

Julia Roberts and Hugh Grant in Notting Hill (1999)

Notting Hill, no título original, traz o encontro entre Grant e ninguém menos que Julia Roberts. A história é espécie de versão contemporânea para A Princesa e o Plebeu: a estrela de cinema Anna Scott (Roberts), perseguida pelos paparazzi numa visita a Londres. decide se esconder na casa de um sujeito comum, William (Grant), proprietário de pequena livraria especializada em guias de turismo. Daí em frente todos sabemos o que acontece. Mas o charme do casal, o humor e as canções (em especial She, por Elvis Costello) compensam todos os clichês.

A trama destila charme. Desde o bairro onde a a história é ambiantada, o casal protagonista, de química notável, até o elenco de coadjuvantes como Rhys Ifans (o Lagarto de O Espetacular Homem-Aranha, 2012) no papel de Spike, o excêntrico amigo e colega de casa do protagonista, James Dreyfus no papel de Martin, funcionário da livraria, e até a ponta de Alec Baldwin vivendo o namorado esnobe de Anna Scott.

Hugh Grant and James Dreyfus in Notting Hill (1999)

Repleto de cenas sensíveis, engraçadas (a piada sobre os salários astronômicos de Hollywood) e de bom gosto, a exemplo da passagem de tempo representada pelo plano-sequência nas ruas do bairro que dá nome ao filme, Um Lugar Chamado Notting Hill tornou-se clássico do cinema contemporâneo, reprisado várias vezes.

Sabemos mais ou menos os caminhos e desfechos das situações apresentadas e, mesmo assim, nos deixamos envolver. Repete a coletiva de imprensa de A Princesa e o Plebeu. Mas ganhou personalidade própria.

Julia Roberts and Hugh Grant in Notting Hill (1999)

Orçado em US$ 43 milhões, arrecadou mais de US$ 363 milhões. Sucesso absoluto. Teve três indicações ao Globo de Ouro e a mesma quantidade ao Bafta, o Oscar britânico, ganhando o prêmio da audiência.

É o tipo de obra capaz de esquentar nossos corações principalmente em tempos difíceis, lista esa que inclui Simplesmente AmorLetra e Música (2007, Grant novamente), Amor em Jogo (2005) (esses dois últimos com a Rainha das comédias românticas, Drew Barrymore), Escola de Rock (2004), etc. São trabalhos que trazem leveza, esperança, doçura, candura e certa pieguice encantadora.

Um Lugar Chamado Notting Hill
Notting Hill .
Reino Unido, Estados Unidos. 1999.
Direção: Roger Michell.
Com Julia Roberts, Hugh Grant, Richard McCabe, Rhys Ifans, James Dreyfus.
124 minutos.

Julia Roberts in Notting Hill (1999)
Notting Hill (1999)
Notting Hill (1999)

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