AMOR A TODA VELOCIDADE (Viva Las Vegas, 1964): Elvis e Ann-Margret incendeiam a tela

Por ANDRÉ AZENHA

A relação entre Elvis e Las Vegas é emblemática. Foi lá que, em 1956, em seu debute profissional na cidade, que sofreu sua primeira frustração profissional após ter se tornado o Rei do Rock.  O público dos hotéis, acostumado a apresentações intimistas e artistas como Frank Sinatra, não estava preparado para o ritmo acelerado e os rebolados do astro. Mas nada como o tempo para corrigir injustiças.

No ano seguinte, Elvis protagonizou aquele que é considerado seu melhor filme, O Prisioneiro do Rock. Depois, passou dois anos no exército americano e retomou a carreira, no início dos anos 60, com um repertório musical mais eclético (gospel, baladas, country, blues, etc). Nesse período, ele praticamente sumiu dos palcos – protagonizou uma série de filmes-musicais de qualidade duvidosa, que, segundo o próprio Elvis, se repetiam em histórias em que ele “socava alguns caras, cantava umas doze músicas e ficava com a garota no final”. Apesar disso, todos esses filmes viraram sucesso de público.

Amor a Toda Velocidade é uma espécie de redenção para o Rei em alguns pontos. Modificou a relação dele com Las Vegas, e, diferente de seus longas anteriores, obteve elogios da crítica.

A obra narra a trajetória de um piloto de corridas (Elvis) que precisa arranjar dinheiro para comprar um motor e equipar seu carro no intuito de vencer o circuito de Las Vegas. Pelo caminho ele conhece uma instrutora de natação (a bela atriz sueca Ann-Margret) que o faz apaixonar-se. O herói fica então dividido entre a busca pela grana e o amor da garota.

Pela sinopse, o filme lembra tantos outros musicais estrelados anteriormente pelo Rei do Rock, e que traziam os desejos de muitos garotos naqueles tempos: carrões e lindas mulheres. Diferencia-se pela excelente trilha musical, composta por clássicos do quilate de The Lady Loves Me, Apreciattion e What’I Say, mais a famosa canção-tema, e principalmente pela química do casal.

Ann-Margret in Viva Las Vegas (1964)

Elvis e Margrett incendeiam a tela. A forma como os dois atuaram, e a boa convivência nos bastidores, fizeram a imprensa, que publicava notícias sobre eles diariamente, até chegasse a anunciar um casamento entre os dois. Entrevistada para o documentário Reino – Elvis em Vegas, que acompanha o filme no DVD, a então namorada de Elvis da época diz que o roqueiro, quando comentava sobre sua companheira em cena, falava em tom apaixonado.

Além disso, foi a primeira vez que o astro realmente dividiu os holofotes com outra pessoa na telona. Como ele, Margrett era um símbolo sexual, cantava, dançava e atuava – fato que fez o empresário “paizão” de Elvis, Coronel Tom Parker, amedrontado com a possibilidade do pupilo ser ofuscado em cena, brigar com o experiente diretor George Sidney

Só que a junção de duas figuras carismáticas não prejudicou a carreira nem de Elvis e nem da atriz e Amor a Toda Velocidade levou multidões aos cinemas. Há quem o considere, também, um avanço em relação a “O Prisioneiro do Rock”. E a produção ainda serviu de cartão postal para Las Vegas, e Elvis finalmente caiu nos braços da terra dos cassinos e hotéis.

Elvis Presley and Ann-Margret in Viva Las Vegas (1964)

Tal êxito serviu de incentivo para o Rei voltar aos palcos. Glorificado após especial “de retorno” da NBC, em 1968, Elvis quis retornar às turnês, o que implicariam, na ótica torta do Coronel Parker, em novas e cansativas viagens, o risco de não conseguir dinheiro suficiente e ainda o perigo de confrontar um novo público, que tinha novos ídolos: Beatles, Stones e Dylan. Em Vegas, Parker encontrou a solução para sua ambição. Elvis pôde realizar uma série de shows para uma plateia que havia sido adolescente nos anos 50, bateu todos os recordes e lucros de apresentações na cidade, e conseguiu reencontrar a felicidade por um breve período. Os últimos shows da lenda seriam ali.

Margrett casou-se em 1967 com o ator Roger Smith e posteriormente recebeu duas indicações ao Oscar, de Atriz Coadjuvante por Ânsia de Amar (1971), e Atriz por Tommy (1975).

Apesar do roteiro irregular, de final apressado, a obra marcou uma geração, misturando musical e comédia romântica, e a  faixa-título tornou-se símbolo da “terra dos cassinos”, sendo executada até hoje por lá.

Amor a Toda Velocidade
Viva Las Vegas
EUA. 1964.
Direção: George Sidney. R
Com Elvis Presley, Ann-Margret, Cesare Danova.
86 minutos.

Elvis Presley and Ann-Margret in Viva Las Vegas (1964)
Ann-Margret in Viva Las Vegas (1964)
Ann-Margret in Viva Las Vegas (1964)
Elvis Presley and Ann-Margret in Viva Las Vegas (1964)

ANDRÉ AZENHA é crítico de cinema, jornalista, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Mestre em Audiovisual pela Universidade Anhembi Morumbi. Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Católica de Santos. Editor dos sites Histórias do Cinema e CineZen Cultural, criado em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest – Festival Internacional de Filmes de Santos (maior festival de cinema do litoral paulista), CulturalMente Santista – Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Autor do livro Histórias: Batman e Superman no Cinema. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante em bairros com situação de vulnerabilidade. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. Ministra cursos, oficinas a palestras sobre história do cinema, crítica de cinema e jornalismo cultural em locais como Sesc Santos, Sesc Belenzinho, Instituto HQ (São Paulo), ETEC Aristóteles Ferreira, Open House Idiomas, UniSantos, Unimonte, Unisanta, Liceu Santista, entre outros. Participou dos livros 100 filmes essenciais do cinema brasileiro e 100 documentários brasileiros, editados pela Abraccine – Associação Brasileira dos Críticos de Cinema. Organizou e produziu exposições sobre Sonia Braga, Julia Andrews, Batman, Superman, Star Wars, cinema infantil.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s