NOSSOS FILHOS (Our Sons, 1991): Julie Andrews, Ann-Margret e Hugh Grant em drama sobre a aids

Na virada dos anos 80 para os 90 a Aids alcançou repercussão gigantesca em veículos de comunicação do mundo todo. Não era para menos. A Síndrome da imunodeficiência vitimou pessoas nos cinco continentes, inclusive artistas, músicos e atores – só no Brasil, para citar alguns exemplos, os cantores Renato Russo e Cazuza, e o ator Lauro Corona, faleceram em virtude de complicações decorrentes do vírus HIV –, o que chamou ainda mais atenção da imprensa e da sociedade para o tema.

E como costuma acontecer com assuntos em voga na mídia dos EUA, foi produzido à época este telefilme (disponível em DVD), que informa, ao final da trama, o número de seres humanos falecidos nos EUA por causa da Aids até 1991, ano de lançamento do longa: 108.731.

Julie Andrews interpreta Audrey, que é mãe de um homossexual (Hugh Grant), cujo namorado, outro jovem (Donald, papel de Zeljko Ivanek), está num estágio avançado da Aids e tem poucos dias de vida pela frente. Por sugestão do filho, Audrey viaja para tentar encontrar a mãe (Ann-Margret) do rapaz doente, que o expulsou de casa onze anos antes, ao descobrir sua sexualidade.

Picture of Our Sons (1991)

Realizado por John Erman, profissional experiente da telinha, que venceu um Emmy (o Oscar televisivo) por seu trabalho em Minha Vida Por Meus Filhos (1983), quando dirigiu Ann-Margret, o filme tem cenas feitas escancaradamente para gerar lágrimas. É compreensível. O intuito foi sensibilizar o público, naqueles tempos, não tão informado sobre a doença.

A produção chama atenção também pela curiosidade em conferirmos Julie Andrews, Ann-Margret e Hugh Grant participando de um drama. As atrizes (que se mantiveram lindas com o passar dos anos) costumam ser lembradas pelos musicais. Andrews por A Noviça Rebelde e Mary Poppins, Margret por Amor a Toda Velocidade (quando fez par incendiário com Elvis Presley) e Tommy. Já Hugh Grant, que no início de carreira investiu em papéis dramáticos (como Lua de Fel, de Roman Polanski), se tornaria mais conhecido por comédias românticas.

Ainda que algumas sequencias possuam reviravoltas que podem ser antecipadas pelo espectador, como naquela em que a personagem de Margret usa um gravador, típicas de filmes feitos para a tevê, a produção possui muito mais acertos, como o trabalho de caracterização de Donald. O ator esloveno Zeljko Ivanek (Dogville, Manderlay, Na Mira do Chefe) confere verossimilhança à situação do personagem, e a trama, ao evitar retratar o casal protagonista de forma caricata evita o equívoco de tantas produções na história do cinema.

Assistido nos dias atuais, Nossos Filhos talvez impressione (e entristeça) – quem tiver um pingo de sensibilidade – pelo fato de constatarmos que, décadas após seu lançamento, ainda existam pessoas que agem como a personagem de Margret, chamando gays de “bichas” e expulsando filhos homossexuais de casa. Mas ao contrário dela, que no filme em poucos dias reviu seus conceitos, as pessoas da vida real que pensam desta forma torta insistem no preconceito de todos os tipos. Isso quando também não acham que a Terra é redonda. De pessoas assim é que devemos sentir pena e manter distância.

Nossos Filhos
Our Sons.
1881. Estados Unidos.
Direção:. John Erman.
Com Julie Andrews, Ann-Margret, Hugh Grant, Zeljko Ivanek, Tony Roberts.
90 min.

FREDDIE, O SAPO SECRETO (Dual Áudio) – 1992TELA DE CINEMA

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