Vídeo | ILHA DAS FLORES, o curta mais importante do cinema nacional

Vídeo em homenagem a este curta-metragem influente, reconhecido no Brasil e no exterior.

Para falarmos de Ilha das Flores precisamos lembrar de seu diretor, o gaúcho Jorge Furtado. No início dos anos 80, foi repórter da TV Educativa, em seu estado natal, fez o programa semanal Quizumba, que misturava ficção e documentário, e dirigiu o Museu de Comunicação Social de Porto Alegre.

Já havia codirigido um curta com José Pedro Goulart, é verdade, Temporal, de 1984. Porém, foi a partir de 1986 que colocou toda a experiência em prática, ganhou respeito da crítica e projeção internacional.

Dois curtas pavimentaram o caminho: O Dia em que Dorival Encarou a Guarda (1986) e Barbosa (1988), codirigido por Ana Luiza Azevedo e estrelado por Antonio Fagundes. Entre eles, em 1987, Furtado fundou a Casa de Cinema da capital gaúcha.

E a consagração veio com o seminal Ilha das Flores, filme de 1989 onde a lógica capitalista é criticada e ironizada em 13 minutos. Presenciamos a jornada de um tomate na sociedade, desde a plantação do Sr. Suzuki, passando por uma casa de classe média até chegar ao lixão da tal ilha do título.

O documentário, narrado por ninguém menos que Paulo José, intercala imagens reais com ilustrações, em ritmo alucinante, para encerrar deixando o espectador com um nó na garganta. Afinal, o tomate e outras sobras de comida do lixão são consumidos primeiro por porcos, para depois serem aproveitados por seres humanos pobres. Premiadíssimo no Festival de Gramado do mesmo ano, Ilha das Flores levou, em 1990, o Urso de Prata de Melhor Curta no Festival de Berlim.

Segundo o cineasta, o trabalho teve inspiração na obra literária de Kurt Vonnegut e na filmografia de Alain Resnais. Mais que isso, consegue ser atemporal e internacional, sem perder a personalidade brasileira – e no Brasil não encontramos pessoas e situações de todas as partes do planeta?

Em 1995, foi eleito pela crítica europeia como um dos 100 curtas-metragens mais importantes do século XX. E entrou na lista dos 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer, em resenha de Jaime Biaggio, que escreveu: “O tom de bizarria divertida prepara o terreno com perfeição para a puxada de tapete do final, quando o humanismo do filme se revela”.

Também figurou em primeiro lugar na lista dos 100 melhores curtas brasileiros de todos os tempos feita pela Abraccine – Associação Brasileira dos Críticos de Cinema. Com o sucesso, a partir de 1990 Furtado virou roteirista da Globo, ligado ao núcleo de Guel Arraes, com quem dividiu direção e roteiro de inúmeras minisséries e especiais. O resto é história…

Dirigiu a escreveu dois dos filmes mais divertidos e inteligentes da nossa produção cinematográfica recente: O Homem que Copiava (2003) e Saneamento Básico, O Filme (2008), sem contar seus textos para séries de tevê consagradas como Cidade dos Homens e Antônia.

Seu êxito, no entanto, pode ser compreendido como um mix de talento, claro, insistência e gratidão, fator preponderante no meio. O cineasta repetiu ao longo da carreira várias parcerias em diferentes projetos. Paulo José, por exemplo, narrou também Saneamento Básico, quase vinte anos depois de Ilha das Flores.

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