Regina Duarte não entendeu nada

Regina Duarte sentiu o calo apertar. Sabe que pode perder o cargo de Secretária Especial de Cultura a qualquer momento. Talvez para demonstrar algum tipo de rebeldia, vá lá entender, postou uma foto do dramaturgo santista Plínio Marcos. Foto essa usada sem autorização do fotógrafo, Marcos Muzzi. Não tardou para que a filha de Plínio, Anna Barros, declarasse repúdio à publicação. E que Marcos pedisse sua exclusão.

Não se trata de perseguição à ex-Viúva Porcina. Mas de constatar o óbvio. Em sua história e, principalmente sua obra, Plínio falou aos excluídos, marginalizados, pessoas relegadas pelo status quo, pelo “cidadão de bem” tão defendido pelo atual governo federal.

Governo este que, ao assumir a liderança do país, decretou o fim do Ministério da Cultura, paralisou a produção audiovisual do país numa série de entraves burocráticos dentro da ANCINE – Agência Nacional de Cinema. Bolsonaro, em “live”, jogou para o alto folhas com projetos de séries de temática LGBTQ+, aprovadas em edital, dizendo que não seriam produzidas. Será que um documentário como Plínio Marcos: Nas Quebradas do Mundareu, de Julio Calasso, conseguiria ser feito hoje?

Não bastasse, Bolsonaro tratou com viés ideológico homenagens e citações a artistas. O presidente lamentou a morte do MC Reaça, de contribuição nula à história e à cultura brasileira. Simplesmente pelo alinhamento de ideias. Por outro lado, nomes imortalizados, respeitados dentro e fora do país, como Moraes MoreiraAldir Blanc e Flavio Migliaccio, sequer foram lembrados. Mesmo sem uma nota oficial por parte do (des)governo federal, Regina poderia ter postado algo em suas redes sociais. Tardiamente lembrou de Flavio, seu colega de atuação. Segue ignorando as demais perdas da nossa arte.

Postar uma foto de Plínio somente quando periga ser demitida prova que ela não entendeu sua função – a de ser o elo de diálogo entre as necessidades da sociedade referentes ao acesso à cultura, às demandas da classe criativa, e seus chefes. Função essa que, para ser exercida, precisa de capacidade de diálogo, gestão, conhecimento amplo de um setor tão vasto, variado dentro de um país de proporções continentais.

Regina sabia que, ao se juntar ao bolsonarismo, estava se aliando a um pensamento intolerante, que entende toda e qualquer forma de reflexão, pensamento, expressão e manifestação (e aí cabem a cultura, a imprensa, etc) como algo incômodo e a ser abafado, proibido, censurado. Que não entende que a arte é livre, diversificada. Desavisada ela não estava. Sabia muito bem onde e com o que se envolvia. Não raras vezes defendeu o presidente.

E se revela extremamente despreparada ao estar no cargo pois não conhece a história e a obra de um dos principais ícones do teatro e da literatura do país: Plinio Marcos. Plinio, caso vivo, estaria revoltado com a situação do país. Jamais aceitaria ter sua imagem vinculada a quem está no poder atualmente.

Perdida, Regina – que chegou a postar imagens de supostos colegas de profissão “apoiadores” para sua nomeação e, criticada, teve que deletá-las – não entendeu nada: a que veio, o que fazer e como fazer. Não adianta, agora, chorar o leite derramado. A atitude mais digna, no mínimo, seria pedir desculpas e excluir a foto de Plínio de seus perfis.

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